sexta-feira, 5 de outubro de 2007

Crianças Especiais precisam ter direito à inclusão na Ed. Infantil




Gladis Maia

Há de se cuidar do broto para que a vida nos dê flores e frutos. Milton Nascimento.

Todas as crianças são muito especiais, mas algumas delas precisam de um apoio, de um olhar, de um saber diferenciado do adulto. Como ela não possui todos os instrumentos necessários para o processo de aprendizagem, que gere um desenvolvimento normal, a sua interação com as pessoas com quem convive fica prejudicada. É necessário estimulá-la para que supere os obstáculos a enfrentar a toda hora. É necessário também uma grande sensibilidade para saber como ajudá-la na medida justa, e não mais do que isto, para que a criança experimente a sensação insubstituível de vitória pessoal. A ajuda excessiva fará com que sua independência seja retardada. A identificação precoce de uma deficiência em uma criança, por menor que seja, e seu imediato encaminhamento a um especialista, pode fazer uma enorme diferença, que mudará decisivamente o futuro desta criança.
A pergunta crucial é: como incluir essas crianças no grupo sem que elas se sintam marginalizadas?O ambiente em que o portador de deficiência vai ser recebido é um fator muito importante. A escola infantil deve ser próxima de sua residência, facilitando o acesso e oferecendo maiores oportunidades de contato com as crianças da vizinhança de sua comunidade. A escola deve contar com uma equipe de educadores acolhedores e receptivos à idéia da inclusão. Deve estar aberta ao diálogo com a família e com os profissionais especializados que fazem o acompanhamento dessas crianças. Todas as barreiras do ambiente físico também precisam ser eliminadas, para oportunizar espaço e segurança para todas as crianças.
O sucesso da inclusão vai depender muito da compreensão, da empatia, dos conhecimentos, da flexibilidade e da disposição em aprender das pessoas que recebem essas crianças com necessidades especiais. Muitas vezes a falta de informação, aliada ao preconceito que têm raízes profundas, que faz com que as pessoas as rejeitem ou se sintam inseguras em relação a elas. Entrar em contato com uma criança portadora de deficiência também pode trazer à tona sentimentos de piedade, de superproteção e até de culpa, devido ao trabalho extra que ela pode representar e à sensação de que não se está respondendo às suas solicitações, na medida em que ela necessita.
Questões como o excesso de crianças em uma turma, o acúmulo
de tarefas da professora, o planejamento dirigido à maioria das crianças, as diferentes demandas dos serviços de orientação, supervisão e administração, muitas vezes tornam a professora cética, quanto às possibilidades de adaptação desta criança especial. Dar-se conta destes sentimentos é um grande desafio, tão grande quanto procurar as soluções que garantam o bem-estar de todas as crianças, assegurando aos educadores de que estão agindo de forma consciente e correta em relação a elas.
A atitude da direção da Escola é um fator essencial para a inclusão do portador de deficiência ao ambiente da escola. Uma diretora que seja sensível ao problema e que tenha um bom relacionamento com toda a sua equipe de educadores, que tenha um bom diálogo com a família e com a professora especializada, favorecerá o trabalho de integração. Sua atitude sempre contagia toda a equipe, o sucesso de experiências já realizadas dita isto.
Um relacionamento próximo com os profissionais especializados dará elementos à equipe técnica de orientação pedagógica para identificar possíveis problemas que estejam ocorrendo com a criança especial. Esta colaboração entre especialistas melhora sensivelmente a tarefa de encontrar soluções e recursos necessários para alcançar os objetivos comuns.
A professora que terá a criança deficiente em sua turma precisará de apoio constante, de avaliação periódica e de informação e troca de experiências para poder planejar adequadamente as suas atividades, além do envolvimento da direção, da equipe técnica e de todos os educadores no trabalho de integração. Esta criança necessita de um ensino que esteja baseado em vivências reais. Isto exige da professora um comportamento mais ativo, inovador e flexível. Ela precisa estar atenta não só as necessidades de todas as crianças não deficientes, mas também às necessidades da criança portadora de deficiência.
Esta atitude certamente beneficiará também as crianças “normais”, que serão igualmente estimuladas a utilizar todos os seus sentidos. Inúmeros estudos e pesquisas comprovam que o convívio entre crianças com deficiência e as outras crianças é saudável para ambos os lados, pois a criança deficiente precisa sentir-se aceita para superar suas dificuldades e a criança não deficiente aprenderá desde cedo a aceitar as diferenças que existem entre as pessoas.
As crianças são de maneira geral mais receptivas às diferenças, mais sinceras e solidárias, infelizmente, muitas vezes, o preconceito é passado dos adultos para elas. As crianças devem ser preparadas para receber os coleguinhas especiais. Algumas delas gostarão de experimentar, tentando realizar tarefas como se fossem portadoras de alguma deficiência, como usar cadeira de rodas, ter os olhos vendados ou os ouvidos tapados. Se este procedimento partir da criança, não só será válido, como inclusivo. Voltaremos ao assunto!

Um comentário:

Marilza disse...

Como seria bom se todos os professores tivessem esta consciência que você tem, com certeza seria mais fácil, mas do que adiantaria as coisa fáceis se não tivéssemos a quem ensinar? Mas com certeza pessoas como voce faz muita diferença em nossas vidas e nos ajudam a superar muitas situações e como estas crianças nos ensinam e nos faz buscar muito conhecimento e com fé, dedicação, força de vontade superamos juntos todas a barreiras. Parabéns, e que Deus possa lhe mostrar um caminho de muita Luz. Um grande abraço.

Marilza.